A gestão não é apenas um passo natural na carreira, mas sim uma escolha que exige preparação. Se o seu objetivo é se tornar uma gestora excepcional, comece agora mesmo com a leitura do resumo de cinco livros gerir melhor desde o primeiro capítulo. Parece exagero? Mas esses títulos foram fundamentais na minha trajetória como líder e vão ajudar você a desenvolver habilidades essenciais, desde a criação de equipes de alto desempenho até a gestão de culturas organizacionais.
Que tal embarcar nessa jornada literária e melhorar sua capacidade de gestão desde o primeiro capítulo?
Pipeline de Liderança – Ram Charan, Stephen Drotter e Jim Noel
Para começar a lista de livros para gerir melhor, um clássico: o livro de Ram Charam, Stephen Drotter e James Noel explica como é possível preparar novas lideranças para um trabalho eficiente e com relações cada vez mais fluidas e horizontais entre líderes e liderados. O livro é bastante abrangente e começa tratando a primeira experiência de gestão, passando por como gerir outros gestores, como gerir um grupo e, por fim, o planejamento da sucessão. Um aprendizado para dar vontade de ler:
“Quando as pessoas são promovidas ao primeiro cargo gerencial, costumam pensar que “chegaram lá”. Todo o trabalho duro como colaborador individual foi recompensado e elas veem a nomeação para a gerência como motivo para celebrar (…) e acreditam que estão mais que prontas para assumir o cargo. Na verdade, o sucesso como gerente de primeira viagem exige uma grande transição para a qual muita gente não está preparada. Talvez o aspecto difícil dessa transição seja que esses gestores passam a ser responsáveis por garantir que o trabalho seja feito por outros, não por eles mesmos. (…) Por exemplo, um gerente novato pode decidir cuidar de uma transação complexa sozinho e se satisfazer em mostrar a todos sua extraordinária habilidade nessa área em vez de ajudar um subordinado direto a fazê-lo”.
Já disse ou ouviu alguém dizendo que “é mais fácil e rápido pegar e fazer do que ensinar”? Pois é, pode ser mesmo, mas não é o que se espera de um(a) gerente. O resumo dos livros para gerir melhor só está começando. O próximo também é um clássico.
Os 5 Desafios das Equipes: Uma História Sobre Liderança – Patrick Lenioni
O livro de Patrick Lencioni é bastante diferente dos livros técnicos que habitualmente vemos por aí, porque foi escrito em um formato de parábola. Ele conta a história de uma CEO que é confrontada por um executivo disfuncional, enquanto o board a pressiona por uma solução imediata. Na história, ela enfrenta cinco situações específicas que nos trazem experiências sobre liderança e resulta em uma lista de cinco disfunções comuns nas equipes. São elas: 1) falta de confiança, 2) medo de conflitos, 3) falta de comprometimento, 4) evitar responsabilizar os outros e 5) falta de atenção aos resultados. Ele trata tema a tema, trazendo solução para reverter todas as disfunções e lembra:
“Ironicamente, as equipes obtêm sucesso porque são excessivamente humanas. Ao reconhecer as próprias imperfeições, os membros de uma equipe funcional superam as tendências naturais que fazem com que a confiança, conflito, comprometimento, cobrança de responsabilidade e foco nos resultados sejam conjunturas tão difíceis de compreender.”
Cultura Organizacional e Liderança – Edgar H. Schein
Você não será uma boa liderança se não conhecer bem a cultura da empresa onde trabalha. Eu realmente acredito nisso porque grande parte do trabalho do líder é compartilhar com seus liderados os posicionamentos da empresa, as razões pelas quais a direção decidiu ajustar a rota (muitas vezes no meio do caminho) e tomar riscos sobre os projetos que estão em andamento. E isso só é possível quando há um entendimento profundo sobre a cultura organizacional.
No livro do americano Edgar Schein, você encontra material suficiente para aprender a transformar um conceito de cultura (abstrato em muitas empresas) em uma ferramenta prática para entender a dinâmica das organizações. O aprendizado?
Líderes e gerentes “devem aprender a decifrar os sinais culturais para que o fluxo normal de trabalho não seja interrompido por equívocos culturais. Mais importante que isso, contudo, é a implicação de que a maneira segundo a qual os líderes põem em prática suas suposições sobre o tempo e o espaço orienta seus subordinados e, por fim, leva a organização inteira a aceitar suas suposições. A maioria dos líderes não está consciente de quanto as suposições que assumem como verdadeiras passam ao comportamento diário pela forma como eles gerenciam os processos de tomada de decisão, o tempo e o espaço.”
A Coragem de Ser Imperfeito – Brené Brown
Não podemos falar de livros para gerir melhor sem listar o bestseller de Brené Brown. Com dicas úteis sobre como cultivar uma vida melhor a partir das nossas imperfeições e vulnerabilidades, ele foi uma das minhas melhores leituras recentes. A professora americana, que tem um TED imperdível, nos mostra a vantagem de dar luz a sentimentos que muitas vezes fingimos não ter, o que nos afasta das pessoas por total falta de identificação. Na gestão, a técnica de nos despirmos da perfeição pode gerar relações riquíssimas de troca, além de um ambiente que dá mais espaço para a criatividade.
“Vulnerabilidade gera vulnerabilidade; e a coragem é contagiosa. Há alguns estudos muito respeitados sobre liderança que sustentam a ideia de que pedir ajuda é essencial e que a vulnerabilidade e coragem contagiam. (…) Se você quer implantar uma cultura de criatividade e renovação, em que riscos concretos têm que ser assumidos tanto em nível coletivo quanto individual, comece por desenvolver nos gerentes a capacidade de estimular a vulnerabilidade em suas equipes. E talvez isso exija que eles próprios sejam vulneráveis primeiro.”
Em Busca de Sentido – Viktor Frankl
Você não vai encontrar o livro de Viktor Frankl entre os títulos voltados para liderança. Mas estar entre minha lista de livros para gerir melhor pode fazer de você um líder especial. A obra do psiquiatra austríaco, que sobreviveu ao Holocausto, traz sua experiência como prisioneiro em Auschwitz e outros campos durante a Segunda Guerra Mundial. E qual a razão para que ele esteja aqui na minha indicação para gestores?
Porque a leitura conta que a busca do indivíduo por um sentido na vida é a força motivadora primária para o ser humano. Frankl apresenta pesquisa feita com quase oito mil alunos de 48 universidades que perguntados sobre o que consideravam “muito importante” naquele momento, 16% declararam “ganhar muito dinheiro” e 78% afirmaram “encontrar um propósito para a vida”.
Ao longo da leitura, que indico para todas as pessoas, gestoras ou não, compreendi alguns comportamentos com os quais me deparo no meu dia a dia na liderança. Um exemplo de como a leitura me instigou a melhorar no trabalho: passei a me dedicar mais para oferecer o máximo de informações que aquele liderado pode ter sobre o projeto para o qual está destinado. Para que eu tenha alguém envolvido, eu preciso explicar as motivações. As pessoas querem, precisam e merecem saber o motivo pelo qual devem se dedicar a uma atividade.
“A busca do indivíduo por sentido é a motivação primária em sua vida, e não uma “racionalidade secundária” de impulsos instintivos. Esse sentido é exclusivo e específico, uma vez que precisa e pode ser cumprido somente por aquela determinada pessoa. Somente então esse sentido assume uma importância que satisfará sua própria vontade de sentido. Alguns autores sustentam que sentidos e valores são “nada mais que mecanismos de defesa, formações reativas e sublimações”. Mas, pelo que toca a mim, eu não estaria disposto a viver em função dos meus “mecanismos de defesa”. Tampouco estaria pronto a morrer simplesmente por amor às minhas “formações reativas”. O que acontece, porém, é que o ser humano é capaz de viver até de morrer por seus ideais e valores!”
Espero que minha lista de livros para gerir melhor, de fato, colaborem para que tenha uma experiência de gestão leve, em que você consiga focar mais nas pessoas e nos resultados e menos nas inseguranças que comumente temos no dia a dia. Lembre-se de que o Liderama foi criado para que você encontre o que precisa para liderar com mais segurança e avançar na sua carreira.
Para me despedir, deixo a primeira frase do livro de Patrick Lencioni: “Não são as finanças. Não é a estratégia. Não é a tecnologia. O que continua resultando em maior vantagem competitiva é o trabalho em equipe”. Cuide da sua! 😊
Se quiser conhecer o livro resumido “Os quatro compromissos”, de Don Miguel Ruiz, clique aqui.